Hoje estou sozinho em casa, escrevendo, tudo parecendo meio melancólico.
Um dia antes, acabou para mim o que foi intitulado como um “caso de verão”.
Eu não deveria estar triste, ou chateado. Mas estou. Estou triste por essa designação. Apenas um caso de verão. Algo que veio forte, e acabou rapidamente, como a passagem da estação. Talvez essa seja a minha sina: algo forte e rápido, que acaba sempre com essa derivação.
É difícil ouvir de alguém que você teve uma pseudo-história palavras de tal força. Pois experiências são partilhadas: a vida de um é dividida com o outro, aprendemos o que nosso(a) companheiro(a) gosta, o que não gosta, seus medos, seus problemas, suas alegrias. Partilhamos momentos de prazer. Partilhamos brigas, é claro. Partilhamos momentos com amigos, conversas descontraídas, engraçadas, outras mais sérias. Partilhamos viagens, almoços, fotos juntos. E principalmente – e perigosamente – partilhamos sonhos.
Tudo isso para quê? A convivência nos leva a enxergar outro plano. Começamos a ver os defeitos, isso é algo imutável. Eles existem. Mas pior do que enxergar os defeitos do outro, é o outro – aquela pessoa que você aprendeu a gostar - não encarar as coisas como defeitos, pelo contrário, achar que o erro é você, são suas atitudes. E você, simplesmente, ter as mãos atadas, sem entender nem saber o que fazer.
Mas por que isso acontece? E as experiências boas? Reduziram-se a pó? Os defeitos são tudo o que realmente importa? Bem, nós nunca saberemos explicar o que se passa na cabeça de outra pessoa: nós vemos o mundo de uma forma, aquele que você adora vê de outra.
Cada um tem uma reação singular. Eu por exemplo, escrevo. Escrevo para demonstrar o que sinto, para despejar a raiva, a saudade, e até o alívio.
Decepções ocorrem toda hora, com qualquer coisa. Não acho que o "gostar" mude quando uma relação é intensa. Ele sofre abalos, mas o verdadeiro gostar, esse vai muito além. É, acima de tudo, acreditar no valor do companheiro, e estar disposto a continuar mesmo com problemas pela frente.
Mas é meio frustrante, sim. Querer construir algo, ou melhor, ver algo de especial naquilo tudo, mas, no final, receber apenas as palavras cortantes “foi apenas um caso de verão”.
When will we get the time to be just friends?